Justificativa

A leitura deve ser um direito de todos. E a escola firma-se como um espaço ideal para o estímulo à leitura e à escrita. As instituições de ensino não têm por obrigação, apenas, formar exímios escritores, mas deve incentivar seus alunos a desenvolverem suas potencialidades e os hábitos de leitura e escrita, no intuito de formar cidadãos conscientes e críticos em torno da própria realidade. Para que isso ocorra de modo eficaz, torna-se indispensável à valorização das artes e das expressões artísticas, tal como há à das ciências exatas; é preciso, pois, educar o aluno de forma completa, para que ele adquira repertório cultural e intelectual suficientes para o bom desenvolvimento dele em sociedade.

Toda escola deve ter um acervo de qualidade para consultas ou para uso cotidiano, aprazível, além de espaço arejado para o desenvolvimento de atividades com o texto. A biblioteca precisa ser um espaço vivo. Lá, estão todas as histórias disponíveis que precisam ser despertadas. Ela tem importância na formação de leitores, no estimulo à leitura, no intercâmbio cultural, na conservação e na restauração de nosso patrimônio cultural. É indispensável que a escola propicie em sua biblioteca ações que possibilitem a diversidade de olhares para os textos nos mais distintos gêneros. É preciso valorizar a leitura literária, e não apenas de livros didáticos ou informativos.

Neste novo contexto educacional no qual estamos inseridos, a leitura assume um papel de imenso destaque na promoção do desenvolvimento cultural, científico, político e, consequentemente, econômico dos povos. Por isso, são suscitados debates e reflexões sobre as formas de estimular as pessoas a desenvolverem o hábito da leitura, principalmente, as crianças e os jovens que ainda não despertaram para a importância desse hábito tão enriquecedor.

As crianças e os jovens aprendem muito do que sabem acerca do mundo e da vida espontaneamente, em contextos muito diversificados que abrangem o grupo familiar, o círculo de amigos, as microssociedades ou grupos em que se inserem e os meios de comunicação social, desde a televisão até à Internet.

Mas é, sem dúvida, na escola e, frequentemente, através do livro, que aprendem de forma mais organizada a sistematizar as informações e os conhecimentos, a pensar, a olhar com espírito crítico a realidade circundante, a problematizar o mundo, a encontrar resposta para os problemas que enfrentam, a respeitar as diferenças étnicas, sociais e pessoais e, muitas vezes, a interiorizar os seus direitos e deveres, como pessoas e como cidadãos. Enfim, o contacto com o livro enriquece culturalmente o indivíduo e promove a sua autonomia. Para já não falar, especificamente, da importância do livro e da leitura para o melhoramento da competência linguística oral e para a aprendizagem do código escrito da sua própria língua. (GONÇALVES, 2003)

Serão, pois, funções ou finalidades da biblioteca escolar, entre outras, com a intenção de promover a leitura: apoiar a realização do projeto Educativo e do Plano de Atividades da Escola; dar resposta às solicitações impostas pelos programas; facultar documentos para as aulas; desenvolver atividades informativas e formativas; favorecer a construção da aprendizagem e da interação, além da atualização constante de saberes; dotar os alunos de capacidades que lhes permitam recorrer à maior quantidade possível de informação e facilitar-lhes esse recurso; promover atividades de motivação e preparação para a leitura.

Ler histórias para crianças, por sua vez, é sempre um momento aprazível, de risadas, de humor e divertimento. É promover o acesso encantado ao livro, suscitando o imaginário e fazendo florear pensamentos. É ter a curiosidade respondida em relação a tantas perguntas, assim como encontrar a chave para abrir novas portas e encontrar ideias para solucionar os problemas que perturbam o homem.

É ouvindo histórias, que as crianças, ou até mesmo os adultos, podem sentir emoções importantes, como a tristeza, a raiva, a irritação, a tranquilidade, o bem-estar, a alegria, dentre outras. Existe realmente um momento de katarsi, no qual os seres purificam suas emoções e passam a se identificar com as personagens e com a trama urdida pelo narrador. É através de histórias que o ser humano pode aventurar-se pelo imaginário e descobrir outros lugares, outros tempos, outros modos de agir, outra ética, quiçá, outros costumes.

O primeiro contato da criança com a leitura, com textos, é feito oralmente, quando a mãe, o pai, o avô, a avó, algum parente ou responsável se dispõe a contar-lhe histórias, desfiar os contos de fadas, as fábulas, as parábolas, as narrativas inventadas. Este costume deve-se tornar uma constante para permitir a leitura como momento aprazível, significativo.

O Clube do Livro é um espaço itinerante, composto de dispositivos móveis, altamente articuláveis e de fácil transporte (o “livrão”, o baú de leitura, onde estarão contidos o livro para contação, o elemento surpresa, o tapete mágico em forma de aquarela e o tamborete do contador). Estes elementos proporcionam a estrutura básica para os momentos de dinamização de boas leituras e o fomento do hábito de ler entre nossos alunos.

A estrutura tem local fixo na Biblioteca da escola e, sempre que necessário, é levada aos espaços internos da escola, como salas de aula, auditório, hall, corredores, bem como aos externos, com visitações a bibliotecas, comunidades ou instituições culturais que estejam preconizadas em projetos previamente discutidos e analisados. Cada aluno deve se associar ao Clube para participar das atividades promovidas por ele. O aluno associado recebe uma carteirinha personalizada, com foto e dados institucionais de filiação ao Clube do Livro. Esta serve de crachá para identificação dos associados quando o clube vai a outros ambientes, exteriores à escola.

Fala-se, constantemente, sobre a importância da leitura em nossas vidas, sobre a necessidade de cultivar e disseminar o hábito da leitura entre crianças e jovens, sobre o papel da escola e dos professores na formação de leitores competentes, cabe-nos, pois, levantar algumas reflexões em torno dessas ideias para que a escola possa buscar estratégias tanto de natureza linguística como de ordem cognitivo-discursiva para a promoção de atividades de interação pela linguagem, por meio do texto lido, escrito ou oralizado.

O texto, em suas mais diversas formas de manifestação, encravado nos mais distintos suportes, é lugar de interação de sujeitos sociais que, dialogicamente, nele se constituem e são constituídos, conforme o pensamento de Ingedore Villaça Koch. Vale ressaltar que a leitura do texto, por sua vez, exige muito mais que o simples conhecimento gramatical e linguístico compartilhado pelos interlocutores.

Os leitores devem ser vistos como atores-construtores sociais, sujeitos ativos, que se compreendem na interação texto-sujeito no processo de leitura, considerado em sua acepção mais ampla. A leitura configura-se como atividade intimamente interativa e complexa de produção de sentidos, onde escritor, texto e leitor complementam-se, tornando-se elementos primordiais e imprescindíveis para o processo de descobertas, acionado pelas leituras realizadas.

O Clube do Livro, portanto, nasce com as intenções e os desafios de promover círculos de leitura, de despertar a necessidade de ler, de trocar experiências entre seus participantes e de detonar o processo de humanização por meio da leitura em seus variados segmentos, promovendo momentos aprazíveis de trabalho com o texto.

OBJETIVOS

GERAL

Fomentar o hábito da leitura e promover momentos agradáveis de dinamização e interação entre professores, alunos e textos dos mais diversos gêneros.

ESPECÍFICOS
  • - Promover discussões relevantes sobre temas atuais, diversos, e de grande interesse;
  • - Despertar o hábito e a necessidade de ler;
  • - Estimular a troca de experiências de leitura;
  • - Promover ações humanitárias por meio das dinamizações de leitura em instituições de assistência à criança, ao idoso nos mais diversos âmbitos.

  • CONSIDERAÇÕES FINAIS

    O Clube do Livro tem sido um motivo de alegria e orgulho para a nossa escola, em virtude do nível de engajamento dos alunos, pela quantidade de discentes e docentes interessados nas realizações propostas pelos gestores deste projeto e pelos alunos credenciados nele. Ele promove a leitura de modo interdisciplinar e multidisciplinar, ampliando seus resultados às mais diversas áreas de conhecimento.

    Em suas ações, costumam-se envolver as disciplinas da área das linguagens, como Língua Portuguesa, Literatura, Artes, Redação, mas também História, o que não impede que outras também sejam aludidas durante os encontros. Afinal despertar o interesse pela leitura é desafio de todas as disciplinas, incluindo as da área de exatas. É indispensável que todos privilegiem as atividades de leitura e escrita, além dos sujeitos e seus conhecimentos, como processo sócio-cognitivo-interacional e que a sala de aula e os outros ambientes da escola tornem-se ambientes promotores de leituras diversas para que se consiga estimular os alunos e incentivá-los a desenvolver os hábitos de leitura e escrita de modo pleno.

    O projeto sem querer, acaba agregando outros profissionais, inicialmente não envolvidos com suas ações e isto estimula seus gestores a perseverarem na ideia proposta, buscando sempre ações promotoras da leitura, com a máxima dedicação possível. No que diz respeito a assiduidade de docentes e discentes é surpreendente o nível de interesse e comprometimento com a proposta, no tocante às ações, principalmente àquelas mais solidárias, para as quais os próprios alunos desenvolvem campanhas e outras ações com a finalidade de assistir o próximo.

    Bibliotecários e professores satisfazem-se à medida que percebem o comprometimento dos alunos com as ações propostas e, por isso, empenham-se cada vez mais em realizar as ações pensadas com a intenção de proporcionar aos alunos uma maior percepção acerca da importância da leitura e tentam despertar neles o interesse pelo livro e o gosto pela leitura.

    Vale ressaltar, para todos os fins, que o projeto apesar de pouco oneroso, promove resultados extremamente positivos do ponto de vista pedagógico. É preciso, pois, que acreditemos no livro e na leitura como fontes inesgotáveis de sabedoria, terrenos fecundos da liberdade para a preservação e a transmissão de experiências e conhecimentos às gerações atuais e futuras, cristalizando no tempo e no espaço a História e a Cultura dos povos.

    O hábito de ouvir histórias não se limita a crianças ou a pessoas alfabetizadas. O simples fato de ouvi-las pode despertar o desenhar, a necessidade de teatralizar, de escrever a própria história, de querer ouvir novamente, de ler outros livros, de brincar e imaginar situações similares àquelas que foram escutadas, ou mesmo de discutir a historinha na tentativa de desvendar o que o texto insinua.

    Vivemos num oceano comunicacional profundo, e a leitura é parte indispensável para o desenvolvimento do processo comunicativo e de sociabilização entre os seres humanos. Ela se firma como um verdadeiro passaporte para uma vida de descobertas e conquistas. Por todos os motivos ressalvados, aqui, torna-se indispensável haver a colaboração da escola e de todos os professores para que projetos como esse do Clube do Livro torne-se uma realidade e para que se possa promover resultados significativos no processo de ensino e aprendizagem, estimulando e despertando a necessidade e o prazer da leitura.

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